Redes de Cooperação Empresarial: Estratégias de Gestão na Nova Economia
Por Alsones Balestrin & Jorge Verschoore. Prefacio Pierre Fayard
Uma das características da nova economia é o fim da ação isolada das empresas. Com o crescente acirramento competitivo, não há mais como echar as portas para relacionamentos colaborativos com fornecedores, clientes e até mesmo concorrentes. O êxito empresarial na nova economia depende da complementaridade de recursos e esforços. A lógica das redes está no centro dessa transformação nos negócios e na sociedade contemporânea. Assim, as Redes de Cooperação Empresarial são consideradas uma das estratégias eficazes para a competitividade no atual mundo dos negócios.
Os grandes debates no mundo acadêmico e empresarial demonstram que as transformações sócio-econômicas dos últimos anos estão fortemente associadas com a força da inovação e do aprendizado coletivo por meio das redes. A colaboração em massa, ou crowdsourcing, conceito que envolve a inteligência colaborativa para o desenvolvimento de novas idéias, vem sendo adotado de maneira radical para criação de produtos e serviços inovadores. A Wikipédia, o LINUX e o YouTube são apenas
alguns dos exemplos de produtos e serviços que estão reescrevendo o conceito clássico de como produzir, vender e utilizar enciclopédias, softwares e a mídia em geral. Outros exemplos, como os casos da Procter & Gamble e a Toyota se valem da colaboração em rede para fortalecer a inovação em seus produtos, processos e modelos de negócios.
Além dos tradicionais ganhos de redução de custos, ganhos de escala, acesso a soluções e poder de mercado, a idéia central das Redes Empresariais é de que o Coletivo é mais inteligente que uma empresa individual. Isso é verdade, sobretudo, pela crescente complexidade dos problemas e desafios que a sociedade contemporânea vem experimentando em áreas como a medicina, meio ambiente e bioenergia, por exemplo. Tais problemas exigem soluções que frequentemente fogem da capacidade e dos recursos de um único indivíduo, organização ou país. Prova disso foi o tema central da reunião do Fórum Econômico Mundial em Davos em 2008: o poder da inovação colaborativa. No encontro, o ex-primeiro-ministro do Reino Unido e membro do Grupo Fundador do Fórum Tony Blair chegou a afirmar que “O Poder da Inovação Colaborativa é a resposta para os grandes desafios globais que enfrentamos”.
Para melhor ilustrar esse argumento, tomamos, por exemplo, os atuais avanços no conhecimento e em áreas como a medicina, química e física – campos de maior complexidade. Em uma rápida visita ao site da Fundação Nobel, podemos observar que nas últimas dez edições do Nobel – 1998 a 2007 – a láurea foi concedida ao esforço coletivo de dois, três ou mais pesquisadores, em 90% das vezes para as áreas da física e medicina e em 70% das vezes para a área da química. Ao comparar com as primeiras 30 edições do Nobel – 1901 a 1930 – verifica-se que naquela época a grande maioria das premiações era concedida para um único pesquisador. Somente 6% das premiações na química, 16% na medicina e 20% na física foram concedidas para um grupo de dois ou mais pesquisadores. Esse exercício simples nos traz evidências de que a construção do conhecimento de mais alta complexidade e valor também vem se deslocando de um esforço individual para coletivo.
Ao abordar esse tema alguns questionamentos naturalmente surgem, principalmente para empresários e gestores: Como desenvolver redes de cooperação empresarial? É possível gerenciá-las? Como ampliar a competitividade e obter resultados por meio delas? Como se valer das redes para desenvolver aprendizado e inovação? Inspirado em conceitos atuais de gestão e em iniciativas de empresas e redes, o livro “Redes de Cooperação Empresarial: Estratégias de Gestão na Nova Economia” aborda essas questões através de uma estrutura lógica de teorias e casos práticos, objetivando proporcionar ao leitor uma visão aprofundada do tema e um ferramental prático de gestão. Por se tratar de uma obra
voltada aos negócios, a cooperação em rede será tratada como uma estratégia que gestores e empresários poderão utilizar frente aos atuais desafios competitivos.
O livro é fruto de uma década de pesquisas acadêmicas e de atuação profissional na formação e gestão de redes de cooperação empresarial. Pretende-se contribuir para a compreensão dos conceitos fundamentais das redes empresariais, dos ganhos que proporcionam e, sobretudo, dos fatores que envolvem o seu estabelecimento e a sua gestão. O livro é dirigido aos empresários, aos gestores e demais interessados no tema, bem como aos alunos de graduação e pós-graduação dos cursos da área de administração e economia.
“Redes de Cooperação Empresarial: Estratégias de Gestão na Nova
Economia”, Editora Bookman, Porto Alegre, 2008.
